Posts Tagged ‘família’

Por que tratamos mal “os nossos”?

24 de maio de 2015

huge.102.512161Por Pedro Simas de Oliveira

Há um comportamento um tanto estranho que todos nós já adotamos alguma vez em nossas vidas, ou, ao menos, vimos alguém adotá-lo. Trata-se desse intrigante modo de agir em que se trata menos bem as pessoas mais próximas, nossos familiares sobretudo, do que outras pessoas menos importantes, cujos laços conosco são mais superficiais. Todos já o fizeram ou fazem, até mesmo aqueles considerados em seu meio como boas pessoas. É possível que a causa dessa atitude tenha por origem o nosso egoísmo, os nossos interesses pouco nobres que fazem nos preocuparmos apenas conosco.

Tal comportamento, muitas vezes, está presente tanto na vida dos mais quanto dos menos virtuosos. Quanto às pessoas que não são lá muito boas, de fato não é de se esperar que tratem muito bem os seus próximos. Mas e as pessoas que consideramos mais? Como é estranho quando isso ocorre com alguém por quem tenhamos grande admiração. É o simpático e pró-ativo trabalhador que se mostra completamente impaciente com a mãe ou esposa no telefone. O jovem revolucionário que diz amar os pobres do mundo inteiro mas não ajuda o irmão no dever escolar ou a mãe a lavar uma louça. Ou aquele nosso ótimo amigo que, quando vamos pela primeira vez à sua casa, responde atravessado sua mãe que apenas lhe questionou se ficaria para o almoço. Talvez a discrepância no humor seja a situação mais corriqueira. Quanto bom humor na rua, mas em casa…. Costumamos ficar um tanto chocados quando vemos isso ou quando percebemos que o fazemos. Parece que a boa imagem que tínhamos de nós ou da pessoa em questão se desfaz, e não é verdade que pensamos: “Como foi/fui capaz disso? Isso é muito estranho, fulano é tão bom… Como pode haver tamanha duplicidade?”

E o pior é que de fato devemos mesmo ficar chocados aos nos depararmos com essa situação, e certos de que há algo de muito errado. Há ao menos falta de coerência, duplicidade, e apesar de não sermos especialistas em ética, sabemos que as pessoas devem buscar ser as mesmas sempre e em todos os ambientes por que passam. Falta unidade de vida quando isso ocorre, passamos a representar distintos papéis conforme o ambiente, o que faz com que percamos a paz que a simplicidade e a sinceridade trazem. Mas será que isso é mesmo muito ruim? Afinal de contas, agimos sempre muito bem, somos admirados no trabalho e nas nossas relações de amizade, e só algumas poucas vezes tratamos um pouco mal “os nossos”, que, afinal, nos entendem e não se importam tanto com esse nosso jeito? Não nos enganemos, pois é justamente com as pessoas mais próximas que mostramos como realmente somos por dentro. É com essas pessoas que nos sentimos mais a vontade, e, assim, conseguimos ser mais nós mesmos. É a idéia que está por trás daquele bom e simples conselho que as pessoas mais velhas (ou mais prudentes) costumam dar aos mais jovens: para verificar se o namorado (a) é bom/boa mesmo, veja como trata sua família.

Mas tentemos ir à raiz. O que nos faz agir assim? O que explica tamanha mudança no comportamento ou tendência a tratar menos bem os mais próximos? É possível que o egoísmo seja uma das causas desse comportamento. Esse apego a nós mesmos e aos nossos interesses em detrimento dos outros. Não tratamos bem aos outros porque isso é bom, mas porque temos algum interesse por trás. Se julgássemos não ter nada a perder não sendo tão cordiais com os colegas de trabalho ou superiores, por exemplo, com certeza não os trataríamos melhor que os nossos familiares. Trataríamos sempre muito bem (ou muito mal) a todos, independentemente da proximidade. A verdade é que sabemos que mesmo sendo ríspidos, ingratos, chatos, com os nossos próximos, eles não deixarão de gostar de nós, de nos ajudar. E, assim, quando não há interesse nenhum, nós agimos como uns tolos. E, por outro lado, quanta cortesia e bom humor com outros. É que há muito em jogo, não é mesmo? A boa imagem no grupo, os convites, as notas, o próprio emprego… Mas será que não deveria ser justamente o contrário? Nossas atitudes deveriam se manter retas justamente em situações em que ausente qualquer interesse, naquelas que não temos nada a perder ou ganhar, pois isso demonstraria pureza nas nossas intenções, e que é o bem que nos importa e não os interesses mais ou menos mesquinhos. Trata-se de buscar agir sempre bem independentemente das contrapartidas que possamos ter. Além do mais, tenhamos em conta que “os nossos” são justamente aqueles a quem deveríamos tratar com mais cuidado, pois são aqueles gostam de nós pelo que somos, e que nos deram e dão tudo, tanto bens materiais quanto os bens mais preciosos como a educação…. Sejamos minimamente proporcionais e gratos, e tratemos melhor aos nossos pais, irmãos, familiares e amigos.

Anúncios

OBRIGADO, BENTO XVI, POR MAIS ESTA LIÇÃO!!!

11 de fevereiro de 2013

11412_10151419593672270_1112174966_nPalavras de Ricardo LeãoEstamos tristes, porque o Papa do Amor, Bento XVI renunciou. É um ato surpreendente, extraordinário e maravilhoso do Papa – como tantos outros no seu pontificado -, pois mostra uma humildade santa de quem considerou – na presença de Deus e com serenidade – sem condições físicas para reger a Igreja nos tempos modernos, que exige um dinamismo impróprio para um homem de 87 anos. É um exemplo para todos nós que, muitas vezes, nos apegamos a cargos e ao poder, e não pensamos no serviço que os cargos (cargas) deprecam. Dói-nos, pois suas palavras e sua presença – lúcidas e precisas – na Sede de Pedro nos têm feito tanto bem. Mas seja feita a vontade de Deus. Rezemos agora para o próximo Papa. Qualquer outra especulação sobre a renúncia serão meras opiniões e imaginações, muitas delas baseadas na falta de fé em Deus e em falta de confiança na sinceridade desse homem fantástico e querido que é Joseph Ratzinger. Obrigado Papa Bento XVI. Obrigado Senhor, por nos ter presenteado com um Romano Pontífice à altura do seu Sagrado Coração. Abençoe-o Mãe Santíssima“.

Homenagem ao Exemplo

27 de maio de 2012

Peço licença aos leitores do blog para falar de uma pessoa muito especial.

No último dia 3, Virginia Rosa Sias, minha avó, finalmente descansou aos 91 anos. Escolheu o mês de Nossa Senhora, de quem era devota, para nos deixar.

Portuguesa, trabalhou desde criança até quase 80 anos, pois Portugal de sua infância era um país pobre e atrasado, que vivia do passado glorioso.

Minha avó era otimista e olhava para frente. “É pra frente que se anda. Quem anda para trás é caranguejo” dizia. Resolveu sair de lá. Turrona, veio de navio sozinha tentar a vida. Adotou o Brasil como país e o Rio de Janeiro como cidade. Adorava o Pão de Açúcar e a praia de Copacabana.

Em uma sociedade hedonista e consumista, minha avó era um delicioso anacronismo. Fazia milagres com seu dinheiro e dava lições de economia doméstica. Singelas, elas continham grande sabedoria: “ganhe 10, gaste 9 e guarde 1. Poupe sempre”.

Tudo que conquistou foi fruto exclusivo do seu esforço, dedicação e mérito. Trabalhou duro. Orgulhava-se de ter sido vendedora da Avon. Nas poucas horas vagas, fazia e vendia peças de tricô.

Nunca compreendeu pessoas preguiçosas. Estranhava movimentos sociais que estão sempre em busca de favores estatais. “Será que acham que dinheiro cai do céu?” sempre me dizia. Era a sua versão do “não existe almoço grátis” do famoso economista Milton Friedman.

Já velhinha, recusava-se a morar com a família. Respeitava a individualidade e a privacidade. “Cada um deve ter a sua vida e seu canto”. Preferia ficar no seu pequeno apartamento, comprado às duras penas com financiamento da Caixa Econômica. Só se rendeu quando não havia mais jeito.

Gostava de novelas, mas se desinteressou nos últimos anos. Segundo ela, só andavam incentivando “sem-vergonhices”. Não há argumentos contra a sua opinião.

Minha avó tinha muito fervor religioso – rezava todos os dias – e era a pessoa mais tolerante que conheci. “Cada um faz o que quer, não é? Se não esta incomodando os outros, ninguém deve se meter” aconselhava. Era moral sem ser moralista.

O que lhe faltava em cultura sobrava em valores morais. Seus ensinamentos eram ricos porque ancorados em uma tradição portuguesa e católica, as mesmas que formaram o nosso país e que vivem sendo questionadas por sociólogos ativistas bobocas.

Pensando nos valores que herdei de minha avó, não tenho como analisar a crise europeia como apenas uma crise econômica. Trata-se de uma crise de valores. Como unir um continente sob uma Constituição sem citar a contribuição do Cristianismo para sua identidade comum?

Defendia que a mulher trabalhasse e não fosse dependente do marido. Era feminista a sua moda, mas ficaria horrorizada com a defesa do aborto. Era do tempo em que se dedicar aos filhos era uma alegria e não um fardo.

Sua única mágoa da vida era não ter estudado. Por isso, valorizava a educação mais que tudo. Esforçou-se à exaustão para que minha mãe tivesse acesso ao conhecimento que ela não teve. Tinha o maior orgulho de sua filha e de seus netos por terem feito faculdade. Quem dera todos os brasileiros tivessem essa preocupação.

O que mais admirava nela era a sua ousadia e obstinação. Com todas as suas limitações, nunca desistia. Em uma época em que certos grupos defendem a eutanásia, minha avó suportou quase 9 meses de CTI com dignidade e bravura. Aliás, como fez com tudo em sua vida.

Deixou para sua família saudades e seu bem mais precioso: o exemplo.

Obrigado Vovó! É uma honra ser seu neto.

Rodrigo Sias é economista

A ética da substituição

7 de janeiro de 2012

As pessoas têm uma impressão subjetiva, mas errada, de que, ao renunciar a alguma coisa prazerosa, algo lhes rouba sua própria liberdade

A ciência da nutrição é hoje uma das atividades que mais ganha espaço e prestígio no meio acadêmico e profissional. O papel do nutricionista é cada vez mais valorizado ao orientar nossos hábitos alimentares, ajudando-nos a priorizar os aspectos da alimentação que são realmente importantes, levando-se em consideração as características e necessidades de cada pessoa. Sabe-se que a obesidade é muitas vezes consequência de vários fatores associados, inclusive de desequilíbrios nutricionais, ou seja, excessos e carências de nutrientes e, portanto, jamais será resolvida unicamente pela simples restrição na ingestão de calorias. Mais do que não comer, essa ciência tem descoberto que o que realmente importa é comer inteligentemente, evitando, por exemplo, misturar carboidratos com proteínas e alimentando-se de forma mais espaçada ao longo do dia.

Entretanto, por mais que a ciência alimentar avance na parte teórica, a dificuldade para depois colocar em prática essas orientações nutricionais é enorme, ainda mais se ampliada pela pressão cultural. Efetivamente, muitos hábitos alimentares sabidamente nocivos para a saúde – relacionados a fast food, churrascarias, rodízios de massas/pizzas, sorveterias requintadas, excessos nas sobremesas, refrigerantes nas refeições, entre outros – são estimulados pelas indústrias do setor, as quais, por meio de experientes técnicas de marketing a serviço de suas ânsias capitalistas, destroem propósitos bem intencionados de mudanças de hábitos alimentares. Em geral, a fraqueza humana cede rapidamente à satisfação de prazeres fáceis, ainda que sejam inconvenientes.

Essa mesma dialética pode ser ampliada para muitos outros prazeres humanos, como o sexual, o da diversão, o da vaidade, o do conforto, o de poder. Vejamos alguns exemplos. É cada vez mais comum descobrir patologias ligadas ao sexo desvairado, mas o homem pouco tem perseverado em sua prática responsável. A psicologia infantil tem denunciado consequências nocivas para o ensino-aprendizagem devido ao excesso de horas de tevê e de internet, mas muitos pais preferem deixar as crianças divertindo-se sem controle nesses veículos de comunicação. Portanto parece que, apesar da ciência continuar avançando na descoberta da verdade sobre o homem, este não consegue progredir na mesma proporção do ponto de vista ético. Qual seriam as causas dessas incoerências?

Acredito que a resposta para essa indagação esteja na ciência ética, que aponta a diferença entre a razão teórica (abstrata) e a razão prática. A primeira potencializa a inteligência para a descoberta dos princípios vitais que nascem das finalidades das ações – por exemplo, é bom ser sóbrio – enquanto que a razão prática, apoiada nesses princípios, vai julgar e decidir a conveniência das ações práticas concretas que levarão a alcançar tais fins. Seguindo com o exemplo anterior, ela verificará se, em determinada circunstância, tal pessoa deverá/poderá tomar ou não certa bebida alcoólica para se manter sóbria tendo em vista os outros e ela mesma. Essa virtude intelectual – a qualidade que facilita agir sempre dessa forma – é chamada de prudência. Mas existe ainda um terceiro movimento interior na dinâmica das virtudes. Não basta uma pessoa querer ser sóbrio (intenção) e identificar os meios para sê-lo (meios práticos concretos para alcançar a virtude) se depois não é capaz de renunciar àquilo que lhe resulta atrativo, mas que dificulta a sobriedade: essa é a virtude moral da temperança.

Infelizmente, a palavra “renúncia” parece ser hoje uma palavra proibida. As pessoas têm uma impressão subjetiva, mas errada, de que, ao renunciar a alguma coisa prazerosa, algo lhes rouba sua própria liberdade. Entretanto, muitas vezes essas pessoas não percebem que todas as boas escolhas trazem como consequência uma renúncia a outras alternativas, que também eram prazerosas, mas cuja renúncia depois se percebe que valeu a pena. O segredo está em aprender a escolher aquilo que é realmente mais prazeroso e duradouro.

Sou da opinião de que, diante de um mundo hedonista/materialista, no qual reina a ética do prazer sensível como ilusão de felicidade, nunca foi tão importante valorizar a educação da temperança, tanto na infância quanto nas demais idades. O filósofo alemão Rhonheimer a define como “o aperfeiçoamento do apetite concupiscível (aquele que inclina ao prazer), fazendo com que esse apetite dirija os sentidos (olhos, paladar, tato…) a valorizar o que é realmente mais prazeroso, não permitindo que o homem seja enganado por eles”. É interessante essa definição, porque a ênfase não é posta tanto na negação, na renúncia ao prazer, mas no aperfeiçoamento do apetite para o prazer material correto. Voltando a nosso exemplo inicial, a melhor maneira de evitar a obesidade e os problemas nutricionais está em aprender desde cedo a “comer inteligentemente” e a não ser enganado pelo mero bem aparente. Chamo esse exercício de ética da substituição. Por isso, uma boa mãe deve aplicá-la ajudando o filho a descobrir que é muito mais prazeroso brincar com os amigos na rua/playground do que ficar brincando comodamente no computador; uma boa professora precisa orientar seus alunos a experimentar a alegria de produzir e apresentar um trabalho escolar bem feito e demonstrar que vale muito mais a pena do que ficar deitado no quarto vendo tevê por horas a fio; um bom pai deve ajudar seu pimpolho a preferir ir com ele ver um pôr do sol do que ficar se escravizando na pornografia da internet.

Como vemos, a ética da substituição está muito longe da ética da repressão, da sublimação (Freud), da neurose. Pelo contrário, é a ética da afirmação! Desejo neste artigo que todos os educadores busquem os mesmos ideais de muitos bons nutricionistas atuais, de forma a orientar a razão prática de suas crianças a preferir claramente um bom “filé mignon” a montanhas insubstanciais de “algodão doce”. Tenho a certeza de que essa pressão interna que gera a virtude fará com que, aos poucos, mudemos a pressão cultural.

João Malheiro é doutor em Educação pela UFRJ. E-mail: malheiro.com@gmail.com Blog: escoladesagres.org

FONTE: http://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/conteudo.phtml?tl=1&id=1209965&tit=A-etica-da-substituicao

Luiz Felipe Pondé: Lei da Palmada espanca liberdade individual

23 de dezembro de 2011

Aprovada na semana passada na Câmara, a Lei da Palmada –que pune pais que aplicam castigos físicos nos filhos –seguiu para o Senado e deve causar mais debates na Casa.

O assunto é destaque do comentário do colunista da Folha Luiz Felipe Pondé.

“Leis desse tipo representam a tentativa do Estado de resolver todos os problemas do cidadão. É tipicamente uma lei fascista”, afirma.

Para o filósofo, o Estado não tem nenhum mecanismo ou capacidade para interferir dessa forma na condução da educação dos filhos. “A não ser que ele [Estado] se transforme em espancador da liberdade individual”, diz.

Ouça o áudio em http://www1.folha.uol.com.br/multimidia/podcasts/1023907-luiz-felipe-ponde-lei-da-palmada-espanca-liberdade-individual.shtml

Leia também neste blog Mamãe, obrigado pelas palmadas! https://tatarana.wordpress.com/2010/07/28/mamae-obrigado-pelas-palmadas/

O Mascarado Polêmico – Kit gay (Parte 1)

4 de julho de 2011

Um vídeo muito bem feito e narrado (com a linguagem jovem) que tem tudo a ver com a realidade da nossa educação e com o Kit gay.

Dinheiro e Família: um conflito aparente

15 de maio de 2011

Rafael Paschoarelli Veiga é Professor de Finanças no Departamento de Administração da FEA/USP da Universidade de São Paulo e do Instituto de Ensino e Pesquisa INSPER. É autor de inúmeros best sellers de economia, como “A Regra do Jogo” e “Como Ganhar Dinheiro no Mercado Financeiro”.

Na entrevista abaixo ele fala sobre economia doméstica e finanças pessoais. Mas o show a parte vem nos 30 minutos finais, quando conta os desafios de ter uma família numerosa e educar 5 filhas. Se você valoriza o seu dinheiro e a sua família, certamente não será desperdício de tempo ouvir cada minuto deste áudio.

Ouça aqui a Entrevista com Rafael Veiga

A entrevista também está disponível para download no site da Rádio Bandeirantes.

FELIZ NATAL DIGITAL!!!

12 de dezembro de 2010

FELICIDADE NÃO SE COMPRA

15 de setembro de 2010

A Folha on line publicou reportagem comentando pesquisa da revista científica “PNAS” sobre os principais fatores de felicidade e de infelicidade na vida das pessoas. Foram feitas entrevistas com mais de 450 mil americanos.

Descobriu-se, por exemplo, que gente solitária se sente muito infeliz até em comparação com quem sofre de um problema crônico de saúde. Ter filhos, por outro lado, traz felicidade. No que tange a renda, para ser feliz, o importante não é ser rico, mas sim não ser pobre.

O fator campeão de bem-estar, porém, é ser uma pessoa religiosa.

Mas o interessante desta pesquisa é que ela coincide com o pensamento filosófico realista. Neste sentido, O filósofo Ricardo Yepes Stork comenta o seguinte: “A vida boa era para os clássicos  a que contém e possui os bens mais apreciados: a família e os filhos no lar, uma quantia moderada de riquezas, os bons amigos, boa sorte ou fortuna que afaste de nós a desgraça, a fama, a honra, a boa saúde, e, sobretudo, uma vida nutrida na contemplação da verdade e na prática da virtude”. (cfr. Fudamentos de Antropologia. Ed. Instituto Brasileiro de Filosofia e Ciência “Raimundo Lúlio”).

Outro dado que salta aos olhos é a fé como o único fator que vence o dinheiro na busca pela felicidade. Mas por quê? A meu ver, exatamente por que a fé, se coerente e vitalizada,  proporciona sobretudo, uma vida nutrida na contemplação da verdade e na prática da virtude, afora a nossa necessidade de eternidade. Conforme ensina o mesmo Yepes “O homem deseja deixar o tempo para trás e ir mais adiante dele, para uma região onde o amor e a felicidade não se trunquem, onde fiquem a salvo de qualquer eventualidade e se façam definitivos. Por outro lado, o destinar-se à pessoa amada nos faz ver que uma pessoa humana não é suficiente para cumular as capacidades potencialmente infinitas do homem.(…) Deus é a suprema felicidade do homem, pois é n’Ele onde se cumula plenamente o desejo que marca a vida de todos os homens. Deus é o amigo que nunca falha. (…) Só com Deus o destino do homem com o tu está garantido, porque qualquer outro tu é falível, inseguro e mortal”.

Vemos assim que. para sermos felizes, não é necessária uma vida cômoda nas riquezas, mas um coração enamorado (S. Josemaría Escriva, Sulco, n. 795).

STJ mantém adoção de crianças por casal homossexual – I

4 de maio de 2010

Em decisão inédita, o Superior Tribunal de Justiça manteve decisão que permitiu a adoção de duas crianças por um casal de mulheres. Após elogiar a aresto do Tribunal do Rio Grande do Sul, o presidente da Quarta Turma, ministro João Otávio de Noronha, fez um esclarecimento: “Não estamos invadindo o espaço legislativo. Não estamos legislando. Toda construção do direito de família foi pretoriana. A lei sempre veio a posteriori”, afirmou o ministro.

Ao meu ver, com o referida justificativa para a decisão, o ministro Noronha reconheceu que alguma coisa não está legal.

É que, no Brasil, diferentemente de países que seguem o sistema do common law, a construção da jurisprudência tem como pressuposto e fundamento inafastável o princípio da legalidade, ou seja, “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei” (art. 5º, inciso II, da Constiuição Federal). Assim, a Carta Constitucional não prevê nenhuma exceção para tal princípio, nem mesmo o direito de família.

Poder-se-ia contra argumentar que, na visão da doutrina jurídica moderna, o juiz não pode ser visto como uma mera “boca da lei”, aplicando a norma mecanicamente mediante um silogismo puro e simples. Neste sentido, Aristóteles fala da equidade, ou seja, compete ao magistrado fazer a correção da lei quando ela é deficiente em razão de sua universalidade, ou seja, um complemento da justiça que permite adaptá-la aos casos particulares.

Entretanto, não me parece ser o caso em questão, tendo em vista que é proposital a não previsão, pelo legislador, da adoção por casal homosexual. Assim, não há que se falar em equidade, pois a lei não previu, intencionalmente, a possibilidade da referida  adoção.

Estamos sim, diante de clara invasão do espaço do Legislativo pelo Judiciário, sendo inconstitucional a decisão em comento.


%d blogueiros gostam disto: