Archive for the ‘ética’ Category

NEW YEAR: Si vis pacem, para bellum!!!

15 de janeiro de 2016
História da Rússia. Império Russo. Guerra Patriótico contra Napoleão. F. Robeau. Batalha de Borodino

History of Russia War against Napoleon. F. Robeau. Battle of Borodino

The end of the year is marked by exchanges of greetings and good wishes: Happy New Year!  Good health, peace, happiness, etc.   Not to mention the achievement or renewal of pledges: “-In 2016, I will finally stop smoking!”.   “-In the coming year I will pass the contest for justice!”   Thus, everything that seemed impossible before, has its hopes renewed thanks to the “magic gateway” of change from one year to another.  Some even resort to mystical strategems like jumping seven waves on New Year’s Eve, dressing in white, making offerings to Yemanjá, etc.   But is this gateway really magical?   We all have practical experience in what, in fact, it is not.   Perhaps on the very night of New Year’s we have already broken some of our promises, despite good intentions.   But how can we really achieve the goals that we set, be they dietary, professional, or related to human and personal growth and improvement?   Once, while visiting the Fort of Copacabana, in Rio de Janeiro, I read the following Latin phrase on the gateway of the entrance: “Si vis pacem, para bellum”, which means, “if you want peace, prepare for war”.   In other words, peace, true peace is the result of war…against ourselves…against our vices, weaknesses and flaws, which limit us and lead us to defeat in the quest to achieve our ideals.   Thus, as with all war, it is necessary that we have a strategy and, above all, determination.   In the book The Way of Perfection, Saint Teresa teaches her spiritual daughters, saying that “most important, above all, is a great and firm determination to not stop until you arrive at the source of living water… whatever the cost… Although the world falls down we will proceed” (21,2).   The real enemy of our ideals is often ourselves.   Therefore, if we really want to win and achieve our goals, it is necessary to declare war against ourselves and have the “determined determination” that Saint Teresa spoke to us about.   With that, our greetings, good wishes and promises for 2016 will become reality.   HAPPY 2016!  

philosophy, everyday philosophy  

Janaina Conceição Paschoal – Direito penal politicamente correto

10 de junho de 2012
Código Penal para acadêmicos: rígido com o abandono de cães, não com o aborto. Homicídio prescreve; racismo não. Drogas? Caso de saúde. Bullying? Polícia

Penalistas sempre denunciaram o fato de o legislador criar crimes para atender o clamor público. Mas várias das propostas para um novo Código Penal vêm para atender aos reclamos da intelectualidade.

Por um lado, a comissão diminui a pena daquele que realiza um aborto na gestante e alarga consideravelmente as hipóteses em que se torna lícita tal prática. Por outro, a mesma comissão propõe pena de um a quatro anos para quem abandona um cachorro na rua.

Isso sendo que, atualmente, o abandono de incapaz está sujeito a uma pena de seis meses a três anos.
Não é raro, no ambiente acadêmico, encontrar pessoas que defendem o aborto como política de saúde pública e, ao mesmo tempo, entendem ser crime grave usar ratos como cobaias de laboratório. É uma inversão de valores intrigante.

A questão da discriminação é outro exemplo. Alarga-se significativamente a incidência do direito penal nessa seara, quando, com todo o respeito, ações afirmativas seriam muito mais eficazes.

Nesse sentido, cumpre destacar que já não há qualquer proporcionalidade no fato de o racismo ser imprescritível enquanto o homicídio prescreve. E todos aceitam tal situação como normal…

Foi aplaudida também a proposta de criminalização do bullying e do tal stalking (perseguição obsessiva), pois é inadmissível alguém ser humilhado.

Os juristas se esquecem de que um pouco de agressividade faz parte do processo de amadurecimento -e que ensinar a criança e o adolescente a respeitarem o outro é papel da família e dos professores, não da justiça penal.

Ademais, os atos de violência que resultam em morte ou lesão grave já são crimes onde quer que ocorram, inclusive na escola.

Criminalizar o bullying retirará dos pais e dos professores a sua responsabilidade. Para que dialogar? Por que tentar integrar? Basta chamar a polícia.

A esse respeito, é curioso constatar que o mesmo grupo que defende que as drogas são uma questão de saúde traz propostas que implicam dizer que falta de educação é um problema policial.

Paulatinamente, abrimos mão de nossos poderes e deveres em prol de um Estado interventor, que nos dita como ser, pensar e falar. É o império da padronização.

Também é surpreendente a notícia de que a comissão preverá o acordo como solução célere do processo, principalmente pelo fato de, ao ser anunciada a medida, ter sido comemorado o rompimento com o devido processo legal, uma das maiores conquistas democráticas.

Quem conhece a realidade forense sabe que não existe qualquer paridade entre as partes. Como na transação penal, os acordos serão impostos -com a conivência de muitos defensores.
Mesmo que decidamos adotar o instituto da barganha -que, aliás, tem natureza também processual- é necessário, primeiro, um maior amadurecimento.

Por mais que a legislação atual seja falha, não pode ser reformulada a toque de caixa. São Tomás de Aquino já ensinava que só é justificável mudar a lei quando os bônus são maiores que os ônus.
Não é o que se anuncia. Não podemos transformar a lei penal, braço mais forte do Estado, em uma sucessão de bandeiras do politicamente correto. Há medidas menos invasivas e mais efetivas para a concretização de uma sociedade mais solidária.


JANAINA CONCEIÇÃO PASCHOAL, 37, doutora em direito penal pela USP, é advogada e professora livre-docente da Faculdade de Direito da USP
Artigo publicado no jornal Folha de S.Paulo,em 10/06/2012 

O Guia Politicamente Incorreto da Filosofia

30 de abril de 2012

Entrevista com Luiz Felipe Pondé, filósofo, doutor em Filosofia Moderna pela USP/Universidade de Paris e pós-doutor pela Universidade de Tel Aviv, Israel

http://cbn.globoradio.globo.com/programas/show-da-noticia/2012/04/14/EM-O-GUIA-POLITICAMENTE-INCORRETO-DA-FILOSOFIA-AUTOR-CONTA-COM-IRONIA-A-HISTORIA-DO-PO.htm

PARA COMEÇAR 2011 COM “FORÇA E HONRA”

1 de janeiro de 2011

FELICIDADE NÃO SE COMPRA

15 de setembro de 2010

A Folha on line publicou reportagem comentando pesquisa da revista científica “PNAS” sobre os principais fatores de felicidade e de infelicidade na vida das pessoas. Foram feitas entrevistas com mais de 450 mil americanos.

Descobriu-se, por exemplo, que gente solitária se sente muito infeliz até em comparação com quem sofre de um problema crônico de saúde. Ter filhos, por outro lado, traz felicidade. No que tange a renda, para ser feliz, o importante não é ser rico, mas sim não ser pobre.

O fator campeão de bem-estar, porém, é ser uma pessoa religiosa.

Mas o interessante desta pesquisa é que ela coincide com o pensamento filosófico realista. Neste sentido, O filósofo Ricardo Yepes Stork comenta o seguinte: “A vida boa era para os clássicos  a que contém e possui os bens mais apreciados: a família e os filhos no lar, uma quantia moderada de riquezas, os bons amigos, boa sorte ou fortuna que afaste de nós a desgraça, a fama, a honra, a boa saúde, e, sobretudo, uma vida nutrida na contemplação da verdade e na prática da virtude”. (cfr. Fudamentos de Antropologia. Ed. Instituto Brasileiro de Filosofia e Ciência “Raimundo Lúlio”).

Outro dado que salta aos olhos é a fé como o único fator que vence o dinheiro na busca pela felicidade. Mas por quê? A meu ver, exatamente por que a fé, se coerente e vitalizada,  proporciona sobretudo, uma vida nutrida na contemplação da verdade e na prática da virtude, afora a nossa necessidade de eternidade. Conforme ensina o mesmo Yepes “O homem deseja deixar o tempo para trás e ir mais adiante dele, para uma região onde o amor e a felicidade não se trunquem, onde fiquem a salvo de qualquer eventualidade e se façam definitivos. Por outro lado, o destinar-se à pessoa amada nos faz ver que uma pessoa humana não é suficiente para cumular as capacidades potencialmente infinitas do homem.(…) Deus é a suprema felicidade do homem, pois é n’Ele onde se cumula plenamente o desejo que marca a vida de todos os homens. Deus é o amigo que nunca falha. (…) Só com Deus o destino do homem com o tu está garantido, porque qualquer outro tu é falível, inseguro e mortal”.

Vemos assim que. para sermos felizes, não é necessária uma vida cômoda nas riquezas, mas um coração enamorado (S. Josemaría Escriva, Sulco, n. 795).

A VOVÓZELA

26 de junho de 2010

Quando estava lendo o jornal O Globo de domingo, dia 20 de junho, deparei-me com a imagem abaixo na Página Logo, de autoria do sociólogo Bruno Liberati, que penso representa muito bem a nossa “Vovózela” de hoje. Liberati construiu a gênese da nossa heroína a partir da década de 60, quando bebeu das águas da contracultura e da ideologia marxista. Assim a nossa jovem “questionou o sistema e queimou o sutiã”; “-Nos anos 70 viajei”, continua ela, referindo-se a suas experiências com as drogas; “-Nos anos 80 minhas utopias foram para o buraco”, ou seja, a derrocada do comunismo. Penso que a sociedade atual é o fruto do que foi semeado nesse período de 20 a 30 anos. Trata-se da ruptura com a tradição e da ascensão e queda das utopias, capitaneadas pelo comunismo, cuja meta maior era destruir o sistema anterior e o seu conjunto de valores, eis que baseados numa infra  estrutura capitalista e opressora. Resultado: os valores ruíram e, pouco tempo depois, desabou o ideal socialista. Resta agora, mais forte do que nunca, justamente o que fora combatido: o burguês em estado puro. Ou seja, “-Enquanto isso…a globalização rolou solta quebrando tudo – o neoliberalismo criou o deus mercado – a mídia tomou conta do espaço público e a vida virou um ‘irreality show’do espetáculo do consumo”. A sociedade atual é devota do deus Baco, da violência, das drogas, da “grana na cueca”, do “serlular” etc. É imperioso o resgate da ética dos valores e das virtudes, sob pena de nos devorarmos uns aos outros. Sobre o mundo após a crise das utopias, recomendo vivamente um artigo publicado na revista Dicta&Contradicta, do filósofo  Massimo Borghesi.

A história da Vovózela

Conservador vs Liberal

4 de junho de 2010

Certa feita, em uma discussão de tese jurídica no trabalho, defendi um posicionamento que, posteriormente, foi taxado de “conservador” por meus colegas. Fiquei com a pulga atrás da orelha (mas, se procurei apenas justificar racionalmente a tese que defendida…). Comecei a notar, a partir de então, quão relativa e tendenciosa é a classificação que se faz de que algo é “conservador” ou “liberal”.

Geralmente, quando se chama alguém de conservador, quer se dar a conotação pejorativa de uma pessoa retrógrada e ultrapassada, que resiste aos “novos tempos” e a “nova mentalidade”. Por outro lado, o liberal é alguém “prafrentex” que desbarata tabús em prol do progresso da humanidade.

Não sei se isso tem haver com os anos 60, Woodstock e o movimento hippie, cujos arautos proclamavam o “é proibido proibir” e propugnavam uma completa reviravolta nos costumes e valores da sociedade. Certo é que estamos colhendo os frutos desta mentalidade: o mundo moderno é um lugar medonho, violento, individualista e hedonista.

Mas não pretendo aqui dizer como um amigo, que afirma ter nascido na época errada (segundo ele, com 200 anos de atraso), ou falar como certas vovós saudosistas (“-Esse mundo está de pernas para o ar! No meu tempo é que era bom!). Sem sombra de dúvida o mundo evoluiu em diversos aspectos, como no progresso das ciências e da tecnologia; no reconhecimento praticamente universal dos direitos humanos etc. Mas não se deve rechaçar o passado, ou antigas tradições e valores, pelo simples fato de ser “velho” e refletir uma mentalidade “conservadora”.

Devemos, sim, fazer um acolhimento racional daquilo que é tradicional, aprimorando-o com as conquistas dos tempos atuais através do filtro da verdade e da razão.

Étienne Gilson diz que  “há um problema ético na raiz das nossas dificuldades filosóficas; nós homens somos muitos voltados a buscar a verdade, mas reticentes em aceitá-la. Não gostamos que a evidência racional nos encurrale, e inclusive quando a verdade está aí, na sua impessoal e  imperiosa objetividade, continua de pé a nossa maior dificuldade: para mim, submeter-me a ela, apesar de não ser exclusivamente minha […]. Os maiores filósofos são aqueles que não titubeiam na presença da verdade, mas lhes dão as boas vindas com estas simples palavras: Sim, amém” (A filosofia na idade média São Paulo. Martins Fontes, 1998).

Não se trata, assim, de ser “conservador” ou “liberal”. Devemos ser filósofos, no sentido pleno da palavra, ou seja, amigos da sabedoria, e portanto, da verdade, mesmo que ela tenha sido desvendada por medievais ou pelas vovós saudosistas.

ÉTICA DAS OBRIGAÇÕES VS ÉTICA DAS VIRTUDES

5 de dezembro de 2009

Platão e Aristóteles em Escola de Atenas, de Rafael

O fenômeno atual da codificação da ética decorre especialmente do pensamento de Emanuel Kant que, em sua Crítica da Razão Prática, definiu a moral como conjunto de máximas que podem ser generalizadas. Por isso, muitos pensam que a ética é um conjunto de regras, geralmente previstas em um código deontológico, onde está prescrito aquilo que o indivíduo pode e aquilo que ele não pode fazer.

Entretanto, a origem da Ética das Obrigações remonta ao séc. XIII, especialmente com o pensamento de Guilherme de Ockham, considerado como o representante mais eminente da escola nominalista. Para Ockham, não há nenhuma moralidade intrínseca às ações humanas, sendo ações moralmente boas ou más apenas porque Deus assim o quer. Deus, diz Ockham, poderia ordenar às criaturas que o odiassem, e neste caso odiar a Deus seria bom e meritório. A liberdade apresenta-se como a possibilidade de escolher entre o sim ou o não, pura e simplesmente.

Essa visão acaba reduzindo a ética a uma camisa de força da liberdade humana. Posteriormente surgirão críticas a ética assim conceituada, tal como no Marxismo e o pensamento de Nietzsche, onde os valores morais seriam impostos pelas classes dominantes, uma moral de escravos, construção cultural no tempo e espaço etc. Talvez isso explique a atual crise na moral e nos costumes, eis que, para muitos, “tudo é permitido”.

A proposta da Ética das Virtudes vai num sentido diametralmente oposto.

Calcada no pensamento de Sócrates, Platão e Aristóteles, a Ética das Virtudes ressalta que o homem possui guias internos naturais para a realização do ser. O homem é, por natureza, finalístico. Píndaro, poeta da antiguidade, explicita essa idéia com a máxima “Torna-te o que és”. E a finalidade do agir humano é buscar o ideal de excelência na inteligência, na vontade e na afetividade. O homem é, portanto, um ser in fieri, ou seja, precisa preencher o seu ser de plenitude, e esse preenchimento levará a felicidade.

É no agir humano que o homem torna-se o que é. De certa forma, nos identificamos com o nosso agir, o que poderíamos chamar de efeito feed back. Nenhuma ação pessoal nos é indiferente. Tal como o fogo, que cresce ou se apaga, estamos a cada momento nos aproximando ou nos distanciando do nosso verdadeiro ser, dependo do nosso agir bom ou mal. E a repetição desses atos morais gera um hábito bom ou um hábito mal. O habito bom é o que chamamos de virtude, e o hábito mal, vício. São esses hábitos – como uma segunda natureza – que nos aproximam (virtudes) ou nos afastam (vícios) da verdade e do bem e, portanto, da felicidade.

Assim, vemos que bem, fim e perfeição de certa maneira se confundem. O homem ou é ético ou não é homem.

Não só as corporações devem identificar a sua Missão e a sua Visão, para utilizar uma conceituação empresarial moderna. Também o homem possui uma Missão e uma Visão.

Cabe a cada um descobrir qual é a sua.


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