Archive for the ‘religião’ Category

La vida de Karol Wojtyla, un pontificado que cambió la historia

1 de maio de 2011
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A transparência cristã de João Paulo II

24 de abril de 2011
João Paulo II será beatificado em Roma no próximo dia 01 de maio. Leia a seguir o artigo de dom Javier Echevarría, prelado do Opus Dei,  publicado no jornal O Estado de S.Paulo.
Faz anos que se escutam depoimentos de jovens, e menos jovens, que se
sentiram atraídos por Cristo graças às palavras, ao exemplo e à
proximidade de João Paulo II. Com a ajuda de Deus, uns empreenderam um
caminho de busca da santidade sem mudar de estado, na vida matrimonial
ou no celibato; outros, no sacerdócio ou na vida religiosa. São muitos
milhares e, às vezes, são chamados “geração de João Paulo II”.Qual foi o segredo da eficácia evangelizadora desse extraordinário pontífice?É evidente que Karol Wojtyla foi um incansável defensor da dignidade
humana, um pastor solícito, um autêntico comunicador da verdade e um
pai, tanto para os crentes como para os não crentes; mas o papa João
Paulo II foi, antes de tudo, um homem enamorado de Jesus Cristo e
identificado com Ele.

“Para saber quem é João Paulo II deve-se vê-lo rezar, sobretudo na
intimidade do seu oratório privado”, escreveu um dos seus biógrafos.
De fato, é isso mesmo.

Uma das suas últimas fotos o retrata na sua capela privada enquanto
acompanhava, através de uma televisão, a oração da Via-Sacra que
ocorria no Coliseu, em Roma. Naquela Sexta-Feira Santa de 2005, João
Paulo II não pôde presidir ao ato com a sua presença física, como nos
anos anteriores: já não era capaz nem de falar nem de caminhar. Mas
nessa imagem se aprecia a intensidade com que vivia aquele momento.
Agarrado a um grande crucifixo de madeira, o papa abraça Jesus na
Cruz, aproxima o seu coração do Crucificado e o beija. A imagem de
João Paulo II, ancião e doente, unido à Cruz é um discurso tão
eloquente como o de suas vigorosas palavras ou o de suas viagens
extenuantes.

O novo beato levou a cabo com generosidade heroica o mandato de Cristo
aos seus discípulos: “Ide pelo mundo inteiro e pregai o Evangelho a
toda criatura” (Mc 16, 15). Com o seu afã de chegar até o último
recanto da África, da América, da Ásia, da Europa e da Oceania, João
Paulo II não pensava em si mesmo: impelia-o o desejo de gastar a vida
a serviço dos demais, o empenho de mostrar a dignidade do ser humano e
de transmitir a mensagem do Evangelho.

Numa ocasião, ao final da tarde, acompanhei dom Álvaro del Portillo –
então prelado do Opus Dei – ao apartamento pontifício. Enquanto
esperávamos a chegada do papa, ouvimos uns passos cansados, como de
alguém que arrasta os pés, que se aproximavam por um corredor: era
João Paulo II, exausto. Dom Álvaro exclamou: “Santo padre, como está
cansado!”. O papa olhou para ele e, com voz amável, explicou: “Se a
estas horas eu não estivesse cansado, seria sinal de não ter cumprido
o meu dever”.

O zelo pelas almas movia-o a deslocar-se até o último recanto da Terra
para levar a mensagem de Cristo. Há alguém no mundo que tenha apertado
mais mãos em sua vida, ou tenha cruzado seu olhar com o de tantas
pessoas? Esse esforço, também humano, era outro modo de abraçar e de
se unir ao Crucificado.

A universalidade do coração de João Paulo II não só o conduzia a uma
atividade que poderíamos chamar exterior: também no seu interior batia
ativamente esse espírito, com o qual fazia próprias todas as ânsias do
mundo. Diariamente, na sua capela privada no Vaticano, percorria o
mundo inteiro.

Por isso, foi natural a resposta que deu a um jornalista que queria
saber como rezava: a oração do papa – observou João Paulo II – é um
“peregrinar pelo mundo inteiro rezando com o pensamento e com o
coração”. Na sua oração – explicou – emerge “a geografia das
comunidades, das Igrejas, das sociedades e também dos problemas que
angustiam o mundo contemporâneo”; e desse modo o papa “expõe diante de
Deus todas as alegrias e as esperanças e, ao mesmo tempo, as tristezas
e as preocupações que a Igreja compartilha com a humanidade
contemporânea”.

Num de seus escritos, São Josemaría Escrivá contempla Jesus na Cruz
como Sacerdote Eterno, que “abre os seus braços à humanidade inteira”.
Penso que o caminhar terreno de João Paulo II foi uma cópia exemplar
desse Senhor que acolhe no seu Coração todos os homens e mulheres,
derramando amor e misericórdia em cada um, com um acento especial para
os enfermos e desamparados.

A vida do cristão não é outra coisa senão buscar configurar-se com
Cristo; e João Paulo II cumpriu-a de modo exímio: pela sua heroica
correspondência à graça, pela sua alegria de filho de Deus, pessoas de
todas as raças e condições viram brilhar nele o rosto do Ressuscitado.

Parece-me que aquela fotografia a que antes me referia é uma síntese
expressiva da vida de João Paulo II: um pontífice fatigado pelo
prolongado tempo de serviço às almas, que orienta o olhar do mundo
para Jesus na Cruz, a fim de facilitar que cada um, cada uma encontre
nela respostas aos seus interrogantes mais profundos.

A vida do novo beato é, pois, um exemplo de transparência cristã:
tornar visível, por meio da própria vida, o rosto e os sentimentos
misericordiosos de Jesus. Penso que essa é a razão e o segredo da sua
eficácia evangelizadora. E estou convencido – assim o peço a Deus – de
que a sua elevação aos altares provocará no mundo e na Igreja Católica
uma onda de fé e de amor, de desejos de serviço aos demais, de
agradecimento a Nosso Senhor.

No dia 1.º de maio de 2011, na Praça de São Pedro, em Roma, sob o
olhar carinhoso da Mãe da Igreja, poderemos unir-nos a Bento XVI e
dizer uma vez mais: “Queremos expressar a nossa profunda gratidão ao
Senhor pelo dom de João Paulo II e queremos também agradecer a este
papa por tudo o que fez e sofreu” (audiência geral, 18 de maio de
2005).

Aos que o conhecemos em vida, corresponde-nos agora o agradável dever
de dá-lo a conhecer às gerações futuras.

Dom Javier Echevarría
Prelado do Opus Dei

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110420/not_imp708642,0.php

Wes Bentley – Enfrentando seus dragões

10 de abril de 2011

There be Dragons legendado

30 de janeiro de 2011

FELIZ NATAL DIGITAL!!!

12 de dezembro de 2010

1.1 A Igreja Católica: Construtora da Civilização – Introdução

25 de agosto de 2010

Chave para entender Os Irmãos Karamazov

3 de novembro de 2009

Estava eu na noite de sábado lendo prazerosamente Os Irmãos Karamazov, ao som de Chopin (não confunda com chopinho)  quando me deparei com a passagem que me pareceu ser a chave para entender essa maravilhosa obra. Eis o trecho:

“(…) porque “tudo é permitido”. Isso o senhor me ensinou de verdade, porque naquela época o senhor me dizia muitas coisas como essa: pois se Deus definitivamente não existe, então não existe nenhuma virtude, e neste caso ela é totalmente desnecessária”. (Os irmãos Karamazov, Fiódor Dostoiéviski, pág. 816. editora 34. Vol.2. Primeira Edição. 2008).

Com efeito, é possível ao homem conhecer racionalmente o sentido da vida e da virtude sem a ajuda de uma revelação divina. Os gregos chegaram a essa descoberta. Entretanto, há um fundamento transcendente do edifício da natureza humana, sem o qual não há virtude e tudo é permitido.

Talvez essa chave sirva não só para desvendar Os Irmãos Karamazov, mas também nos faça compreender melhor a crise em que se encontra a sociedade humana atual.

AS RAÍZES DA VIOLÊNCIA NOS TEMPOS ATUAIS

27 de setembro de 2009

Muito se fala sobre a escalada da violência em todo o mundo. Quanto a suas causas, no caso do Brasil, a opinião geralmente aceita é a de que seriam  basicamente duas: a impunidade reinante e a existência de bolsões de pobreza no país, solo fértil para o crescimento da criminalidade.

No que tange a impunidade, sem dúvida, os três poderes do estado têm a sua parcela de responsabilidade: o comportamento dúbio manifestado por diversas vezes pelo Judiciário na punição de delinquentes; o cipoal legislativo penal e processual penal, onde sempre é possível encontrar uma brecha; o despreparo da polícia, a falta de vontade política dos governantes para enfrentar o problema e resolvê-lo  de uma vez por todas  são fatores importantes para a banalização da violência no país.

Entretanto, notamos que todas as causas acima mencionadas são “extrínsecas ao homem” e mais conformes ao direito e a política. São medidas preventivas ou repressivas da violência, mas que não atuam na gênese da maldade.

A pobreza e a marginalização também não poderiam ser diagnosticadas como a razão da violência desmedida, haja vista que ela atinge a todas as classes sem distinção. Neste sentido, citamos como exemplo o caso de Suzane von Richthofen, uma bela moça da classe média alta paulistana que cursava direito em uma das melhores faculdades do país e que assassinara os pais a sangue frio e de maneira cruel, auxiliada pelo namorado e seu irmão; os Pitt boys etc. Além disso, lembramos que se trata de um drama internacional. Volta e meia nos deparamos no noticiário com a história de  uma criança assassina, um serial killer que anuncia a sua ação no YouTube e, após matar pessoas inocentes, suicida-se etc.

Assim, a meu ver, a raiz da banalização da violência atual não se encontra numa má distribuição de renda ou na falência do aparato estatal em combatê-la. Trata-se de um mal da sociedade atual, sofrido a nível mundial. A banalização da violência é a externalização, o sintoma de uma civilização definhando.

O homem atual encontra-se mergulhado no niilismo que, no entender de Nietzsche, “não é apenas a contemplação da inutilidade de tudo, nem apenas a convicção de que todas as coisas merecem cair na ruína,: pondo mãos à obra,  manda-as para a ruína...Isso é, se quiserem, ilógico; mas o niilismo não crê na obrigação de ser lógico…É o estado dos espíritos e das vontades fortes, e eles não conseguem determinar-se no não ‘do juízo’ – o não da ação faz parte de sua natureza. A aniquilação com a mão acompanha a aniquilação com o juízo”.

A amálgama cultural contemporânea tem como principal vítima os jovens, onde a parca formação ética e moral recebida na família e na vida comunitária, aliada ao fato de serem eles mais suscetíveis à absorvição dos valores reinantes, têm como consequência o surgimento de uma “juventude transviada”, como denominam os sociólogos.

As comunidades mais pobres também acabam sofrendo mais intensamente: “E o que resulta desse direito à multiplicação das necessidades? Para os ricos o isolamento e o suicídio espiritual, para os pobres, a inveja e o assassinato, porquanto esses direitos foram concedidos mas ainda não se indicaram os meios de satisfazer as necessidades”. (Dostoiéviski, Os irmãos Karamázovi). Lembramos aqui o trágico caso do ônibus 174, no Rio de Janeiro em 2000, que ficou detido no bairro do Jardim Botânico por quase 5 horas, sob a mira de um revólver, por Sandro Barbosa do Nascimento, vítima da antiga Chacina da Candelária. Esse rapaz, com sede de ser reconhecido socialmente e que dizia que queria ser famoso –  algo invejado e desejado por tanta gente – escolheu o caminho do crime para atingir este sonho.

Assim, parece-me equivocada a solução, proposta por alguns, de controle de natalidade dos pobres como forma de conter a violência, pois equivaleria a uma castração social, transformando aqueles que são vítimas da  violência em culpados.

Desta forma, além das necessárias e imprescindíveis reformas no nosso aparato estatal de repressão a violência, faz-se imprescindível uma mudança cultural,  de sorte a se propiciar uma sólida formação humana a todos os membros da sociedade, bem como a proposta de “novos valores” para a convivência pacífica do homem em sociedade, principalmente o respeito que toda pessoa deve ter pelos outros e pela justiça, sob pena de a sociedade dos homens autodevorar-se.

O respeito pelo homem e a justiça como eixos da vida em sociedade não são, entretanto, idéias inéditas. No mito de Protágoras, Platão nos mostra qual é o único apoio capaz de sustentar a sociedade dos homens. O mito nos ensina que não são suficientes as refinadas artes técnicas e o fogo, ou seja, as poderosas energias libertadas pela Técnica e pelo Trabalho, se a humanidade não recupera os outros dons divinos – os de Zeus -, isto é, o respeito e a justiça, que o rei do Olimpo desejou que fossem dados a todos sem distinção.

Ademais, Platão, numa passagem do Críton, explica muito bem o princípio segundo o qual não se deve fazer nunca o mal e a injustiça aos homens, nem mesmo quando se é vítima do mal e da injustiça. Não se deve fazer o mal nunca e tampouco devolver o mal por vingança.

Sem embargo, muitas vezes não basta a justiça para o serenamento dos ânimos e o restabelecimento da paz. Neste sentido, Cícero dizia: Summum ius, summa iniuria. [Cícero, De Officiis 1.10.33]. Às vezes justiça extrema é a maior injustiça. Assim, é preciso ainda a revolução do amor, do amor de doação, de querer o bem do outro pelo outro e de maneira desinteressada, para resolver de vez o problema da violência.
Sobre a caridade como fundamento da sociedade, o papa Bento XVI, em sua encíclica Deus Caritas Est (Deus é Amor) narra um interessante episódio ocorrido nos primórdios do cristianismo: “Uma alusão merece a figura do imperador Juliano o Apóstata († 363), porque demonstra uma vez mais quão essencial era para a Igreja dos primeiros séculos a caridade organizada e praticada. Criança de seis anos, Juliano assistira ao assassínio de seu pai, de seu irmão e doutros familiares pelas guardas do palácio imperial; esta brutalidade atribuiu-a ele — com razão ou sem ela — ao imperador Constâncio, que se fazia passar por um grande cristão. Em consequência disso, a fé cristã acabou desacreditada a seus olhos uma vez por todas. Feito imperador, decide restaurar o paganismo, a antiga religião romana, mas ao mesmo tempo reformá-lo para se tornar realmente a força propulsora do império. Para isso, inspirou-se largamente no cristianismo. Instaurou uma hierarquia de metropolitas e sacerdotes. Estes deviam promover o amor a Deus e ao próximo. Numa das suas cartas, [16] escrevera que o único aspecto do cristianismo que o maravilhava era a actividade caritativa da Igreja. Por isso, considerou determinante para o seu novo paganismo fazer surgir, a par do sistema de caridade da Igreja, uma actividade equivalente na sua religião. Os « Galileus » — dizia ele — tinham conquistado assim a sua popularidade. Havia que imitá-los, senão mesmo superá-los. Deste modo, o imperador confirmava que a caridade era uma característica decisiva da comunidade cristã, da Igreja”.

Assim, não é a técnica que restabelecerá o paraíso terrestre. A fé no progresso técnico, nos dizeres de Teodoro W. Adorno, levou ao progresso da funda à megabomba. Se a humanidade não recupera os outros dons divinos – os de Zeus -, isto é, o respeito e a justiça, e se não se fundamenta no amor, está condenada a autodestruição, como esteve à beira de acontecer no nosso passado recente com a segunda guerra mundial e a guerra fria.

Laicidade não significa hostilidade contra fé

6 de setembro de 2009
Por Fernando Capez

Recentemente, o Ministério Público Federal ingressou com uma ação civil pública, pleiteando que fossem retirados das repartições públicas do estado de São Paulo todos os símbolos religiosos, dentre os quais o mais utilizado é a cruz, representação maior da fé cristã. A ação pede a concessão de liminar — denegada pela juíza da 3ª Vara Federal Cível, Maria Lúcia Lencastre Ursaia — para a remoção dentro do prazo máximo de 120 dias, sob pena de multa diária. Dentre os argumentos, encontra-se o de que pessoas que se dirigem aos prédios públicos poderão se sentir ofendidas pelos símbolos ou sinais religiosos. A argumentação básica é a de que o Brasil optou por ser um Estado laico.

Eis a questão: o Estado laico não tolera em suas repartições a expressão da fé em Deus, por meio de símbolos?

De acordo com o filósofo francês Michel Villey, há uma clara e indesejável tendência nos sistemas jurídicos contemporâneos de conferirem à laicidade um conteúdo de antagonismo à religião, deturpando-a em puro laicismo, no qual a fé é desprezada e totalmente substituída pelo racionalismo profano — conforme A formação do pensamento jurídico moderno, SP, Martins Fontes, 2005. Nega-se a ressurreição de Cristo, bem como seus milagres relatados por testemunhas nos Evangelhos, porque tais fatos ofendem a razão mundana. Tudo o que não for possível demonstrar racionalmente, à luz da compreensão humana, não é científico, não é laico e, logo, se opõe ao Estado racional e moderno.

Trata-se de uma volta ao movimento iluminista do final do século XVIII, em que a soberba do antropocentrismo e o egoísmo individualista suplantaram a crença em dogmas absolutos pré-constituídos.

Laico, no entanto, não quer dizer inimigo da religião.

Etimologicamente, laico ou leigo provém do termo grego laikós, que designa o que se refere ao povo (laós). O termo leigo (laikós) serve apenas para diferenciar as pessoas consagradas para uma missão especial, tais como os diáconos, presbíteros e bispos, daqueles que são apenas consagrados no batismo — conforme Dom Fernando Antônio Figueiredo em Introdução à Patrística, RJ, Editora Vozes, 2009, p. 46. Laico não designa, portanto, algo não religioso, nem contrário à fé, mas apenas aqueles que não exercitam como vocação o ministério religioso. Estado laico não é Estado sem fé, ateu ou que se antepõe a símbolos de convicções religiosas, mas tão somente Estado não confessional, sem religião oficial ou obrigatória.

Assim, ao contrário do que parece à primeira vista, a expressão laico não se opõe, nem repudia, mas antes coexiste pacificamente com as religiões, sem molestá-las ou coibi-las. Aliás, a Constituição Federal, em seu artigo 19, inciso I, prevê até mesmo a possibilidade de aliança entre Estado e Igreja sempre que, nos termos da lei, houver interesse público. Um Estado não confessional significa apenas não regrado por normas religiosas, sem implicar nenhuma postura comissiva de hostilidade ao status quo.

A Constituição Federal de 1988 consagrou o Estado Democrático de Direito, calcado na busca da igualdade formal e material, que tem como objetivo promover o bem de todos, sem preconceitos de qualquer natureza, e se alicerça na dignidade da pessoa humana. Busca a tolerância mútua e a coexistência pacífica.

Cabe ao Estado e à sociedade em geral não encorajar manifestações de intolerância daqueles que se sintam ofendidos pela livre expressão da fé alheia. A retirada de símbolos já instalados, mesmo que em repartições públicas, leva à alteração de uma situação já consolidada em um país composto por uma quase totalidade de adeptos da fé cristã, e agride desnecessariamente os sentimentos de milhões de brasileiros, apenas para contentar a intolerância e a supremacia da vontade de um restrito grupo de pessoas.

A Constituição Federal não conformou um Estado ateu, nem hostil ao cristianismo, apenas estabeleceu um regime não confessional. Não há religião oficial, mas também não há política oficial de repúdio à religião.

Gilmar Ferreira Mendes, Inocêncio Mártires Coelho e Paulo Gustavo Gonet Branco observam: “O Estado brasileiro não é confessional, mas tampouco é ateu, como se deduz do preâmbulo da Constituição, que invoca a proteção de Deus. Admite igualmente, que o casamento religioso produza efeitos civis, na forma o disposto em lei (CF, art. 226, §§ 1º e 2º …a laicidade do Estado não significa, por certo, inimizade com a fé.” (Curso de Direito Constitucional, SP, Saraiva, 2007, p. 408/409).

Devemos buscar a conciliação como meio de transformar as relações pessoais e pacificar os conflitos. Como ensinou Nelson Mandela, não há futuro para a humanidade sem perdão e reconciliação. Não basta a força e a coerção para a solução das crises nas relações interpessoais. A verdadeira paz não se faz com o silenciar do outro, pois quando há um vencedor, sempre resta um vencido humilhado e pronto a desafogar os instintos de vingança. Paz é curar o coração das pessoas e dos povos. Paz é conseguir que vítimas e agressores se perdoem e se reconciliem. Paz é não se sentir ofendido pela liberdade de expressão alheia, mas, ao contrário, compreendê-la e tolerá-la. A religião tem sido relegada a um plano de separação abismal da vida secular, desperdiçando-se ao longo dos séculos, tantos ensinamentos filosóficos que constam das escrituras sagradas e que poderiam ter levado à solução pacífica dos conflitos e guerras que assolaram a humanidade. Como mecanismo eficaz de inibição da violência, da correção de rumos e da solução de desentendimentos, a religião deveria ser tratada com maior deferência e atenção.

Cabe a todos nós a tarefa de buscar a união e a tolerância entre Estado e religião, entendida como o complexo de regras calcadas na fé em Deus e na crença do compromisso de paz, harmonia e tolerância com a humanidade.


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