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Sobre a catarse coletiva brasileira

22 de junho de 2013

Difícil falar de algo que estamos vivenciando e que certamente tem um caráter histórico. Trata-se de um fenômeno multifacetado, nacionalista, massivo, de dimensão continental e  – isto é o mais interessante – totalmente desvinculado de partidos políticos.

O MPL, estopim dos protestos, ontem, de forma surpreendente, retirou o time de campo: Na quarta passada, como o cancelamento do aumento das passagens em Rio e São Paulo, haviam dito: “- A luta continua, companheiro, agora pela reforma agrária, contra o latifúndio urbano (o que vem a ser isso???) e pelo passe livre!”. Ontem, o MPL afirmou que não fará mais convocações de passeatas porque “a causa foi vitoriosa” e condenou a atitude dos manifestantes contrários a militantes políticos, ao mesmo tempo em que promoveu uma clara (e oportunista) aproximação com a imprensa. Na minha opinião, esse pessoal é, se não vinculado, ao menos ideologicamente alinhado com o PT e companhia. Eles perceberam que a coisa saiu completamente do controle deles e, no mesmo dia em que a Dilma faz um discurso à nação, o MPL recua. Isso denota alinhamento com o governo federal.

Fazendo um pouco de teoria da conspiração, (hehe) imagino que o MPL, com conhecimento de Brasília, iniciou o movimento para forçar o repasse das isenções tributárias nos preços dos transportes públicos. Os protestos seriam a justificativa e a desculpa para que os governos locais (como Fernando Haddad, em São Paulo) pudessem forçar uma  negociação com empresários e políticos, fazer alterações e cortes orçamentários etc.

O problema é que o tiro saiu (completamente) pela culatra.

Durante a semana, o caráter apartidário, massivo e pacífico foi ganhando cada vez mais força. Ainda que haja inúmeras bandeiras,  o que me parece ser o verdadeiro motor dos manifestantes, das mais diversas classes sociais, profissões e dos locais mais díspares do Brasil, é a indignação ante anos de corrupção, impunidade, privilégios e fisiologismo político, péssima qualidade dos serviços públicos, impostos altos etc. Tal como em outros países, as redes sociais tiveram um papel fundamental para que isso acontecesse, tendo em vista o seu caráter viral de proliferação das convocações.

Isso explica o total rechaço aos partidos políticos, independentemente da sua coloração. Dilma e seu governo certamente terão forte queda de popularidade.

Enfim, é a catarse coletiva brasileira! Um verdadeiro momento de transformação, que deve ser louvado, desde que mantido o seu caráter pacífico! Mas o importante é dar efetividade a essa catarse, que se reflita nas urnas.

Que os políticos percebam que o Brasil não é o bordel deles!

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