Archive for abril \24\UTC 2011

A transparência cristã de João Paulo II

24 de abril de 2011
João Paulo II será beatificado em Roma no próximo dia 01 de maio. Leia a seguir o artigo de dom Javier Echevarría, prelado do Opus Dei,  publicado no jornal O Estado de S.Paulo.
Faz anos que se escutam depoimentos de jovens, e menos jovens, que se
sentiram atraídos por Cristo graças às palavras, ao exemplo e à
proximidade de João Paulo II. Com a ajuda de Deus, uns empreenderam um
caminho de busca da santidade sem mudar de estado, na vida matrimonial
ou no celibato; outros, no sacerdócio ou na vida religiosa. São muitos
milhares e, às vezes, são chamados “geração de João Paulo II”.Qual foi o segredo da eficácia evangelizadora desse extraordinário pontífice?É evidente que Karol Wojtyla foi um incansável defensor da dignidade
humana, um pastor solícito, um autêntico comunicador da verdade e um
pai, tanto para os crentes como para os não crentes; mas o papa João
Paulo II foi, antes de tudo, um homem enamorado de Jesus Cristo e
identificado com Ele.

“Para saber quem é João Paulo II deve-se vê-lo rezar, sobretudo na
intimidade do seu oratório privado”, escreveu um dos seus biógrafos.
De fato, é isso mesmo.

Uma das suas últimas fotos o retrata na sua capela privada enquanto
acompanhava, através de uma televisão, a oração da Via-Sacra que
ocorria no Coliseu, em Roma. Naquela Sexta-Feira Santa de 2005, João
Paulo II não pôde presidir ao ato com a sua presença física, como nos
anos anteriores: já não era capaz nem de falar nem de caminhar. Mas
nessa imagem se aprecia a intensidade com que vivia aquele momento.
Agarrado a um grande crucifixo de madeira, o papa abraça Jesus na
Cruz, aproxima o seu coração do Crucificado e o beija. A imagem de
João Paulo II, ancião e doente, unido à Cruz é um discurso tão
eloquente como o de suas vigorosas palavras ou o de suas viagens
extenuantes.

O novo beato levou a cabo com generosidade heroica o mandato de Cristo
aos seus discípulos: “Ide pelo mundo inteiro e pregai o Evangelho a
toda criatura” (Mc 16, 15). Com o seu afã de chegar até o último
recanto da África, da América, da Ásia, da Europa e da Oceania, João
Paulo II não pensava em si mesmo: impelia-o o desejo de gastar a vida
a serviço dos demais, o empenho de mostrar a dignidade do ser humano e
de transmitir a mensagem do Evangelho.

Numa ocasião, ao final da tarde, acompanhei dom Álvaro del Portillo –
então prelado do Opus Dei – ao apartamento pontifício. Enquanto
esperávamos a chegada do papa, ouvimos uns passos cansados, como de
alguém que arrasta os pés, que se aproximavam por um corredor: era
João Paulo II, exausto. Dom Álvaro exclamou: “Santo padre, como está
cansado!”. O papa olhou para ele e, com voz amável, explicou: “Se a
estas horas eu não estivesse cansado, seria sinal de não ter cumprido
o meu dever”.

O zelo pelas almas movia-o a deslocar-se até o último recanto da Terra
para levar a mensagem de Cristo. Há alguém no mundo que tenha apertado
mais mãos em sua vida, ou tenha cruzado seu olhar com o de tantas
pessoas? Esse esforço, também humano, era outro modo de abraçar e de
se unir ao Crucificado.

A universalidade do coração de João Paulo II não só o conduzia a uma
atividade que poderíamos chamar exterior: também no seu interior batia
ativamente esse espírito, com o qual fazia próprias todas as ânsias do
mundo. Diariamente, na sua capela privada no Vaticano, percorria o
mundo inteiro.

Por isso, foi natural a resposta que deu a um jornalista que queria
saber como rezava: a oração do papa – observou João Paulo II – é um
“peregrinar pelo mundo inteiro rezando com o pensamento e com o
coração”. Na sua oração – explicou – emerge “a geografia das
comunidades, das Igrejas, das sociedades e também dos problemas que
angustiam o mundo contemporâneo”; e desse modo o papa “expõe diante de
Deus todas as alegrias e as esperanças e, ao mesmo tempo, as tristezas
e as preocupações que a Igreja compartilha com a humanidade
contemporânea”.

Num de seus escritos, São Josemaría Escrivá contempla Jesus na Cruz
como Sacerdote Eterno, que “abre os seus braços à humanidade inteira”.
Penso que o caminhar terreno de João Paulo II foi uma cópia exemplar
desse Senhor que acolhe no seu Coração todos os homens e mulheres,
derramando amor e misericórdia em cada um, com um acento especial para
os enfermos e desamparados.

A vida do cristão não é outra coisa senão buscar configurar-se com
Cristo; e João Paulo II cumpriu-a de modo exímio: pela sua heroica
correspondência à graça, pela sua alegria de filho de Deus, pessoas de
todas as raças e condições viram brilhar nele o rosto do Ressuscitado.

Parece-me que aquela fotografia a que antes me referia é uma síntese
expressiva da vida de João Paulo II: um pontífice fatigado pelo
prolongado tempo de serviço às almas, que orienta o olhar do mundo
para Jesus na Cruz, a fim de facilitar que cada um, cada uma encontre
nela respostas aos seus interrogantes mais profundos.

A vida do novo beato é, pois, um exemplo de transparência cristã:
tornar visível, por meio da própria vida, o rosto e os sentimentos
misericordiosos de Jesus. Penso que essa é a razão e o segredo da sua
eficácia evangelizadora. E estou convencido – assim o peço a Deus – de
que a sua elevação aos altares provocará no mundo e na Igreja Católica
uma onda de fé e de amor, de desejos de serviço aos demais, de
agradecimento a Nosso Senhor.

No dia 1.º de maio de 2011, na Praça de São Pedro, em Roma, sob o
olhar carinhoso da Mãe da Igreja, poderemos unir-nos a Bento XVI e
dizer uma vez mais: “Queremos expressar a nossa profunda gratidão ao
Senhor pelo dom de João Paulo II e queremos também agradecer a este
papa por tudo o que fez e sofreu” (audiência geral, 18 de maio de
2005).

Aos que o conhecemos em vida, corresponde-nos agora o agradável dever
de dá-lo a conhecer às gerações futuras.

Dom Javier Echevarría
Prelado do Opus Dei

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110420/not_imp708642,0.php

Por que ler os clássicos?

16 de abril de 2011

Sobre o teatro, Aristóteles afirmava: “no teatro experimentamos sentimentos e aprendemos”. E o Papa João Paulo II, que será beatificado no próximo dia primeiro, disse em certa ocasião: “São precisos peritos em humanidades”.  Assim, tal como o teatro, a leitura de um clássico é como um laboratório de humanidades: conhecemos experiências de vida, algumas fracassadas, outras bem sucedidas, mas que nos avisam e evitam que “entremos numa fria”. Através dos personagens de um bom livro, por exemplo, conhecemos sentimentos, temperamentos e atitudes, e com isso aprendemos a compreender mais as pessoas. E dessa forma nos humanizamos, educamos nossos sentimentos. Como resultado, a boa leitura amadurece, nos torna homens e mulheres no sentido pleno e por antecipação.

Aprende-se a gostar de ler lendo. Quanto mais lermos, mais vamos gostar de ler, até chegarmos a um verdadeiro apaixonamento pela leitura. Convém começar por livros cuja temática seja pessoalmente atraente e leve, e, aos poucos, ir aumentando a “densidade” do livro. Mas não devemos pretender quantidade em detrimento da qualidade e da profundidade. Quem lê muito e rapidamente, de ordinário, lê superficialmente. Balmes dizia isso muito graficamente: “a leitura é como o alimento; o proveito não está na proporção do que se come, mas do que se digere. A leitura deve ser pausada, atenta, reflexiva; convêm suspendê-la com freqüência, para meditar sobre o que se lê; assim, vai-se convertendo em substância própria a substância do autor e se exerce com o entendimento um ato semelhante com as funções nutritivas do corpo”.

Assim, a leitura é o alimento do nosso entendimento. Veja um listão de clássicos obrigatórios no blog Depósito de Idéias

Wes Bentley – Enfrentando seus dragões

10 de abril de 2011

JMJ El Alma de Madrid

2 de abril de 2011

%d blogueiros gostam disto: