Archive for julho \28\UTC 2010

Mamãe, obrigado pelas palmadas!

28 de julho de 2010

Recente pesquisa do Datafolha revelou que a maioria dos brasileiros já apanhou dos pais, já bateu nos filhos e é contra o projeto de lei do governo federal que proíbe palmada, beliscões e castigos físicos em crianças. Na pesquisa, disseram ser contra 54% dos 10.905 entrevistados. Outros 36% revelaram ser favoráveis à proposta do presidente Lula. A notícia é do jornal Folha de S. Paulo.

Esta é a segunda tentativa do governo em emplacar a referida lei. Este projeto é um embrião do Projeto de Lei 2.654/2003, da deputada Maria do Rosário (PT-RS), coordenadora da Frente Parlamentar dos Direitos Humanos, que também proíbe qualquer tipo de agressão física contra a criança e o adolescente.

Mas a questão de fundo é saber até que ponto pode intervir o Estado no direito que os pais têm de educar os seus filhos.

A dr. Maria Berenice, advogada e ex-desembargadora do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul em entrevista ao Conjur comenta que “os filhos não são propriedades dos pais. Eles são cidadãos e por isso pertencem ao estado, dessa forma é perfeitamente cabível a interferência dele na educação da criança”, ressalta.

Ora, esta parece ser a idéia do governo, o que muito me preocupa, pois também esta é a visão de regimes totalitários.

William L. Shirer, no livro Ascensão e Queda do Terceiro Reich, tece comentários sobre a educação durante o regime nazista. Hitler certa ocasião disse, quando um adversário não queria se “converter” para o nazismo: “digo, calmamente, vossos filhos já nos pertencem”. Em 1 de maio de 1937 declarou: “O novo Reich não entregará sua juventude para ninguém, mas tomá-la-á e lhe dará sua própria educação e criação”. As escolas alemãs foram rapidamente nazificadas, os manuais foram reelaborados precipitadamente, os currículos modificados. Minha luta convertido – nas palavras do Der Deutche Erzieher, órgão oficial dos educadores – em “nossa infalível estrela polar pedagógica”. E os professores que não conseguissem ver a nova luz eram postos na rua. Aos 10 anos, todo jovem alemão tinha que fazer o seguinte juramento: “Diante desta bandeira de sangue, que representa nosso Führer, juro devotar todas as minhas energias e forças ao salvador de nossa pátria, Adolf Hitler. Estou disposto e pronto a dar minha vida por ele, com a ajuda de Deus”.

Vejo, assim, como muito preocupante esta e outras propostas do governo, tais como o PNDH – 3 –  onde se previu, dentre outras ameaças ao estado democrático,  a censura a imprensa –  e que devem ser prontamente rechaçadas pela sociedade, eis refletem os primeiros passos para um projeto de estado intervencionista e autoritário.

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NIETZSCHE E O NAZISMO

12 de julho de 2010

Nas férias, um dos meus entretenimentos prediletos tem sido a leitura do Ascensão e Queda do Terceiro Reich, de William  L. Shirer, jornalista e testemunha ocular dos antecedentes e da própria Segunda Guerra Mundial. O capítulo que mais me  chamou a atenção até agora é o relativo as raízes intelectuais do Terceiro Reich, especialmente sobre a influência do pensamento do tão festejado Nietzsche.

Os escritores nazistas jamais se cansavam de louvá-lo. Hitler visitava com freqüência o museu de Nietzsche, em Weimar, e fazia pública a sua admiração pelo filósofo, posando para os fotógrafos em atitude de êxtase diante do busto do grande homem.

Qualquer nazista poderia citá-lo na exposição de quase todos os temas imagináveis. Do cristianismo, por exemplo, Nietzsche dizia ser uma “terrível maldição, desmedida e profunda perversão”. E exaltava o super-homem, animal de rapina, “o magnífico bruto alourado, agressivamente sequioso de saque e vitória”. Em Assim falava Zaratustra bradava o filósofo: “Não vos aconselho a paz, mas a vitória. (…)Dizeis que a boa causa justifica até mesmo a guerra? Eu vos digo: a boa guerra é que justifica qualquer causa. A guerra e a coragem têm feitos mais grandiosos que o amor ao próximo”. Finalmente, havia a profecia de Nietzsche de que surgiria uma elite que governaria o mundo e da qual se elevaria o super-homem. Em Vontade de potência, consigna: “Uma raça destemida e dirigente está se criando (…). O objetivo será preparar uma transposição de valores por uma espécie de homem particularmente forte, a mais altamente dotada de inteligência e de vontade. Este homem, e a elite em torno dele, se converterão nos ‘senhores da terra’”. Não resta dúvida de que, no fundo, Hitler se considera o super-homem da profecia de Nietzsche.

Diante disso, é preciso repensar na importância e peso que se dá até hoje ao pensamento de Nietzsche. O nazismo passou, mas alguns dos seus fundamentos filosóficos permanecem sustentando a mentalidade e a cultura contemporânea, e que talvez explique, em grande parte, a raiz dos males da nossa civilização, como a exacerbação da violência, a eugenia, manifestada atualmente na defesa do aborto de seres humanos vistos como “inviáveis”, o desaparecimento das ações caritativas, da justiça e da virtude pessoal, aniquilados pelo individualismo e pelo darwinismo social, etc.

Sem dúvida, o mundo de hoje tem tecnologia e velocidade, só falta esclarecer para onde estamos indo (e acelerando!)?.

Elogio a Loucura, por Fernando Pessoa

6 de julho de 2010

Cena do filme A Missão, de Roland Joffé

“Sem a loucura que é o homem

mais que a besta sadia,

Cadáver adiado que procria?”

(em Mensagem,  D. Sebastião, Rei de Portugal).


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