LULA, CUBA e ANTÍGONA

Sófocles (496 a.C.-406 a.C.), autor de Antígona

Recentemente, o Nosso Guia fez declarações relativas a prisioneiros políticos de Cuba que estão em greve de fome. Ele criticou a greve de fome e comparou a situação dos dissidentes a de presos comuns: “-Eu penso que a greve de fome não pode ser utilizada como pretexto de direitos humanos para libertar as pessoas. Imagine se todos os bandidos que estão presos em São Paulo entrassem em greve de fome e exigissem liberdade. Nós temos que respeitar a determinação da Justiça e do governo cubano de prender as pessoas em função da legislação de Cuba”, declarou. Esse comentário me fez lembrar o post que escrevi sobre o direito injusto. Naquela ocasião, comentei que há situações em que a “lei injusta” não só pode como deve ser desrespeitada, porque não constitui verdadeiro direito e o seu cumprimento causaria graves injustiças. Neste caso incluem-se as leis que desrespeitam a dignidade da pessoa humana, como a legislação cubana que qualifica como crime o fato de alguém ter opinião contrária ao regime autoritário instalado naquela ilha desde 1959. A liberdade de expressão, opinião e de imprensa constitui valor fundamental de todos estados democráticos de direito e como tal deve ser defendida pelas nações democráticas. Talvez falte ao Nosso Guia os ensinamentos de Creonte em Antígona, de Sófocles : “Quero vos prometer ouvir sempre os mais sábios, calar quando preciso, falar se necessário e jamais colocar o maior interesse do melhor amigo e do mais íntimo parente acima da mais mesquinha necessidade do povo e da pátria” . Lula pode até ser amigo de Fidel, mas enquanto chefe de estado, deve colocar de lado os sentimentos particulares e ideológicos para defender os direitos e garantias fundamentais da pessoa humana.

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Uma resposta to “LULA, CUBA e ANTÍGONA”

  1. Victor Says:

    Na época da ditadura brasileira, as prisões eram, de certa forma, dentro da lei, pois vivíamos um estado de exceção, legislado por decretos e atos institucionais. Será que Lula também defenderia a prisão de muitos de seus companheiros de PT à época, sob a luz da legislação vigente? Eu acredito que sim.

    Pelo menos pela legislação atual, muitos deles recebem indenizações, inclusive nosso presidente, por terem sido presos na época. Só não recebem indenizações as famílias das vítimas dos atentados terroristas de cunho político. Mas creio que isso é mera questão de tempo até nosso presidente perceber o paradoxo irônico da nossa lei de anistia.

    Afinal nosso presidente é um verdadeiro democrata, defensor das leis brasileiras e internacionais.

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