Archive for março \28\UTC 2010

SlideSix: k- O papel das virtudes na conquista da maturidade II

28 de março de 2010

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PNDH 3 E A VENEZUELIZAÇÃO DA IMPRENSA

21 de março de 2010

O ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial de Direitos Humanos, negou que a terceira versão do Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH) pretenda regular a mídia e defendeu um debate com os meios de comunicação para deixar claro que não haverá, segundo ele, risco à liberdade de expressão. Vannuchi, afirmou, no entanto, querer propor à imprensa alguns critérios de aperfeiçoamento nas questões envolvendo o tema. “Não é regulamentar”, disse. A nossa idéia é mostrar que é preciso ter uma discussão com a imprensa que não envolva o cerceamento ou o risco de liberdade de expressão. Não queremos alterar a mais ampla e plena liberdade. A informação é do jornal O Globo.

Não é, entretanto, o que dizem os jornalistas.

Em evento organizado pelo Instituto Millenium, representantes dos principais veículos de comunicação do país criticaram mais uma vez o PNDH 3. Foram apresentadas as conclusões e afirmações categóricas de uma linha de pensamento que a imprensa brasileira já não tem mais vergonha de defender, quais sejam:

– o setor de comunicação no país não precisa de mais leis, e sim de auto-regulação

– as Conferências Nacionais representam a estatização da opinião de minorias e são promovidas por entidades da sociedade civil cujo teor é decisivamente determinado por interesses partidários, governamentais ou ambos

– é urgente fazer um debate forte contra o Programa Nacional de Direitos Humanos para impedir que ele seja implementado

Segundo o jornalista Carlos Alberto Di Franco,  “é no controle da imprensa, sobretudo da mídia independente e formadora de opinião, que os estrategistas do Planalto investem com mais vigor. Silenciada a imprensa, sucumbe a cidadania. Se as leis propostas forem aprovadas, o governo poderá suspender programações e cassar licenças de rádios e de televisões, quando houver “violações” de direito humanos. Será criado um ranking nacional de veículos de comunicação baseado em seu “comprometimento” com os direitos humanos. Lula manifesta crescente insatisfação com o trabalho da imprensa. Para o presidente da República, um político que deve muito à liberdade de imprensa e de expressão, imprensa boa é a que fala bem. Jornalismo que apura e opina com isenção incomoda. Está, na visão de Lula, a serviço da “elite brasileira“.

Trata-se de um processo de venezuelização da mídia, utilizando-se da democracia direta (plebiscitos e referendos) como mecanismo de legitimação da prática de atos atentatórios aos pilares do estado democrático de direito. Vox populi, vox dei, diz o ditado. Sabemos onde isso pode acabar: Hitler utilizou-se destes mecanismos para justificar as maiores atrocidades.

Silenciada a imprensa, sucumbe a cidadania.

LULA, CUBA e ANTÍGONA

14 de março de 2010

Sófocles (496 a.C.-406 a.C.), autor de Antígona

Recentemente, o Nosso Guia fez declarações relativas a prisioneiros políticos de Cuba que estão em greve de fome. Ele criticou a greve de fome e comparou a situação dos dissidentes a de presos comuns: “-Eu penso que a greve de fome não pode ser utilizada como pretexto de direitos humanos para libertar as pessoas. Imagine se todos os bandidos que estão presos em São Paulo entrassem em greve de fome e exigissem liberdade. Nós temos que respeitar a determinação da Justiça e do governo cubano de prender as pessoas em função da legislação de Cuba”, declarou. Esse comentário me fez lembrar o post que escrevi sobre o direito injusto. Naquela ocasião, comentei que há situações em que a “lei injusta” não só pode como deve ser desrespeitada, porque não constitui verdadeiro direito e o seu cumprimento causaria graves injustiças. Neste caso incluem-se as leis que desrespeitam a dignidade da pessoa humana, como a legislação cubana que qualifica como crime o fato de alguém ter opinião contrária ao regime autoritário instalado naquela ilha desde 1959. A liberdade de expressão, opinião e de imprensa constitui valor fundamental de todos estados democráticos de direito e como tal deve ser defendida pelas nações democráticas. Talvez falte ao Nosso Guia os ensinamentos de Creonte em Antígona, de Sófocles : “Quero vos prometer ouvir sempre os mais sábios, calar quando preciso, falar se necessário e jamais colocar o maior interesse do melhor amigo e do mais íntimo parente acima da mais mesquinha necessidade do povo e da pátria” . Lula pode até ser amigo de Fidel, mas enquanto chefe de estado, deve colocar de lado os sentimentos particulares e ideológicos para defender os direitos e garantias fundamentais da pessoa humana.

O ANIMAL QUE RI

6 de março de 2010

Na última Roda Filosófica, discutimos o texto “O humor nos tempos da cólera”, de Marcelo Consentino, publicado na Revista Dicta e Contradicta (http://www.dicta.com.br).  “O homem é o único animal que ri”, ensina Aristóteles. O ato de rir é patrimônio exclusivo do animal racional. O autor ensina que, para rir, é necessário um desligamento temporário e momentâneo das emoções. De fato, se assistirmos a uma ópera tampando os ouvidos, sem nos deixar dominar pela emoção da música e do ambiente, vemos quão engraçados são as roupas e movimentos dos artistas, simulacros que são de guerras ou de dramas humanos. O riso ordinariamente é produzido num ambiente comunitário ou relacional. “Quer rir, tem que fazer rir”, diz o personagem de um conhecido filme. A surpresa que causa uma piada é certamente uma condicionante indispensável. Mas um aspecto bastante ressaltado por Bérgson é que o riso nasce como uma espécie de censura que um determinado grupo dirige a um indivíduo em razão do seu comportamento inadequado. De fato, as piadas de português são engraçadas para os brasileiros em razão da desconformidade entre a forma de pensar de um português, que possui uma linguagem denotativa, e a de um brasileiro, cuja linguagem é mais conotativa. Assim, segundo o autor, o riso é ao mesmo tempo uma reação e uma correção a algo que desconcerta ou desequilibra a vida individual ou social. Neste sentido, o autor ressalta a ironia com uma função social: corrigir de forma sutil a conduta de alguém que age vaidosamente ou de maneira hipócrita. Sem dúvida, a ironia desperta a pessoa para a dissonância da sua conduta. Entretanto –  e aqui discordo do autor – é preciso ser muito hábil para saber utilizar-se dela, pois a ironia não deixa de ser humilhante para aquele que é objeto de comentário, ainda mais se considerarmos que ele é feito na presença de outras pessoas. Por outro lado, um ponto pouco trabalhado pelo autor e bastante ressaltado na nossa Roda é o saber rir de si mesmo. Narrei um episódio da vida de S. Josemaría Escrivá. Certa feita, ele andava mal humorado e acabrunhado. Teve então a seguinte idéia: “-Vou tirar uma foto instantânea!”. Ao ver quão ridícula era a sua cara sisuda, riu-se e recuperou o bom humor. Escrivá nos ensina que, quando andamos mal humorados, especialmente por algo que feriu o nosso orgulho, é preciso que saíamos de nós mesmos para enxergarmos a verdadeira dimensão daquilo que nos chateia. É  preciso que façamos uma suspensão momentânea dos nossos sentimentos de ira e orgulho ferido para que descubramos  a  “tempestade no copo d’água” gerada pela nossa imaginação e que é causa de sofrimentos, chateações e conflitos humanos. Humildade, não levar-se tão a sério e rir de si próprio é a melhor terapia contra grande parte dos nossos dramas.

Bota a mão na carteira que vai começaaaaaaar!!!

3 de março de 2010
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