PNDH-3: FEMINISMO CONTRA A VIDA

Outro dia estava eu conversando com uma colega de trabalho, que comemorava o fato de uma gestante ter garantido na Justiça o direito a pensão de alimentos para o filho desde a concepção. Aproveitei então para questioná-la (maliciosamente, reconheço!): Ora, se o pai da criança deve assumir a responsabilidade com os custos da sua criação desde a concepção, logo deverá ele decidir em conjunto sobre o seu destino, se o aborto fosse legal, correto? A esta pergunta, a minha colega, claudicante, não respondeu, talvez por imaginar (de maneira incoerente, é lógico) que, neste caso, a escolha caberia exclusivamente à mulher.

É neste sentido que prevê o Programa Nacional de Direitos Humanos – PNDH-3, onde consta que o estado deve apoiar a aprovação do projeto de lei que descriminaliza o aborto, considerando a autonomia das mulheres.

Em minha opinião, essa visão decorre de um mal entendido e de um problema recorrente nas feministas: todas elas faltaram ou foram reprovadas nas aulas de biologia, desde o ginásio. Já faz muito tempo que a ciência descobriu que a fecundação humana ocorre com a união do óvulo e o espermatozóide, completando-se os 46 cromossomos, sendo 23 do gameta masculino e 23 do gameta feminino. Assim, a formação do zigoto conta com a colaboração igualitária do homem e da mulher. Deve ser visto como um resultado conjunto, e não algo que pertence ou que é parte biológica da mulher. Por outro lado, também a ciência demonstra que a fecundação dá origem a um novo ser, ontologicamente individual e autônomo em relação aos seus pais. E por estarmos falando de um ser humano, e, portanto, dotado de dignidade, deve ter a vida assegurada e protegida. Neste sentido deveria ter previsto o PNH-3, assegurando a vida desde a concepção, tal como se encontra previsto na Convenção Americana de Direitos Humanos ( Pacto de S. José da Costa Rica), a qual o Brasil é signatário, nestes termos: “Artigo 4º – Direito à vida – 1. Toda pessoa tem o direito de que se respeite sua vida. Essedireito deve ser protegido pela lei e, em geral, desde o momento da concepção. Ninguém pode ser privado da vida arbitrariamente”.

Anúncios

Tags: , , , ,

5 Respostas to “PNDH-3: FEMINISMO CONTRA A VIDA”

  1. Joao Malheiro Says:

    Achei muito bom o artigo. Entretanto, tenho percebido na própria carne que não é bom atacar ninguém – no caso as feministas, chamando-as de burras na matéria de biologia, porque sempre haverá alguém que estava gostando do artigo, mas porque ataca alguém, já despreza-o…

    Mas, parabéns, e continuar a escrever e a por as próprias idéias…

    Joao Malheiro

  2. R.S Says:

    O artigo é bom pois mostra a incoerência óbvia de por um lado exigir que o pai pague pensão desde a concpção por um lado (o que a princípio é positivo, pois implicitamente reconhece que a vida começa na concepção) e, por outro, querer dar a mulher o direito de acabar com a vida em seu ventre.
    Não acho uma boa idéia desqualificar o conhecimento de biologia das feministas por duas razões: primeiro, pela razão exposta pelo João…desqualificar explicitamente não é necessário para construir um bom argumento…quando você mostra a incoerência, você ja desqualifica logicamente e de maneira elegante…
    E a segunda razão, que eu acho mais importante nesse debate: as feministas CONHECEM biologia. Se o desconhecimento fosse a causa da posição abortista, facilmente acabaria o problema lendo um livro de ensino médio.
    A questão é outra! A questão é que as feministas apoiam a cultura da morte e do individualismo absoluto!

  3. Jose Victor Says:

    Realmente, o ataque às feministas poderia ter sido um pouco mais sutil :-).

    Já por causa do título, achei que faltou criticar mais o PNDH-3 , em relação às suas inconstitucionalidades e caráter político/comunista.

    No geral nota 8,5 🙂

    []s

  4. João Carlos Nara Jr. Says:

    Sem dúvida, o problema do feminismo não é o desconhecimento da biologia. O feminismo procura resgatar a dignidade da mulher, razão pela qual pode fazer pender o prato da balança indevidamente a interesses femininos, ainda que, para isso, tenha de pôr entre parênteses dados científicos.

    Lanço-me a uma hipótese um tanto ousada, mas diria que a ciência vista como “conhecimento estabelecido”, ter cariz eminentemente masculino. A flexibilidade no uso da argumentação é próprio do viés feminino. Valha-se mais deste último que você conquistará as feministas ao seu “partido”.

  5. Thyago Mathias Says:

    Argumentação lógica e convicente. Desnecessário, de fato, partir para um confronto direto, por meio da desqualificação do conhecimento relativo à Bilogia. Mesmo porque, além de evitar a resistência de quem se sente ofendido, o problema do Feminismo não é de ignorância intelectual, mas de individualismo extremado.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: