Archive for dezembro \27\UTC 2009

ANO NOVO: Si vis pacem, para bellum!!!

27 de dezembro de 2009
História da Rússia. Império Russo. Guerra Patriótico contra Napoleão. F. Robeau. Batalha de Borodino

História da Rússia.  Guerra contra Napoleão. F. Robeau. Batalha de Borodino

O final do ano é marcado pela troca de saudações e bons desejos:  Feliz Ano Novo! Muita saúde, paz, felicidade, etc. Sem falar na realização ou renovação de promessas: “-Em 2017, finalmente vou parar de fumar!”. “-No ano que vem passo no concurso para juiz!” Assim, tudo o que parecia impossível até então, tem as suas esperanças renovadas graças ao “portal mágico” da mudança de um ano para o outro. Alguns, inclusive, recorrem a estratagemas místicos como pular sete ondas na noite de Ano Novo, vestir-se de branco, fazer oferendas a Iemanjá etc.  Mas será que este portal é realmente mágico? Todos temos a experiência prática de que, na verdade, não é. Talvez na mesma noite de Ano Novo já tenhamos quebrado alguma das nossas promessas, apesar de bem intencionados.  Mas, como realmente alcançar as metas que nos colocamos, sejam elas dietéticas, profissionais, ou de crescimento e melhora humana e pessoal? Numa ocasião, quando visitava o Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro, li a seguinte frase latina no portal de entrada: “Si vis pacem, para bellum”, o que quer dizer, “se queres a paz, prepara a guerra”. Ou seja, a paz, a verdadeira paz é conseqüência da guerra…contra nós mesmos…contra os nossos vícios, fraquezas e misérias, que nos limitam e nos levam a derrota na busca por conquistar os nossos ideais. Assim, como toda guerra, é preciso que tenhamos uma estratégia e, acima de tudo, determinação. No livro Caminho de Perfeição, Santa Teresa instrui suas filhas espirituais, dizendo que “importa muito, e acima de tudo, uma grande e firme determinação de não parar até chegar à fonte de água viva… custe o que custar… Ainda que o mundo venha a baixo havemos de prosseguir” (21,2). O verdadeiro inimigo dos nossos ideais muitas vezes somos nós mesmos. Portanto, se quisermos realmente vencer e alcançar as nossas metas, é preciso que declaremos guerra contra nós mesmos e tenhamos a “determinada determinação” que nos falava Santa Teresa. Com isso, nossas saudações, bons desejos e promessas para 2017 tornar-se-ão realidade. FELIZ 2017!

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Quando o meu irmão cantava…

12 de dezembro de 2009

Retirado de http://muitomaneiro.wordpress.com/

ÉTICA DAS OBRIGAÇÕES VS ÉTICA DAS VIRTUDES

5 de dezembro de 2009

Platão e Aristóteles em Escola de Atenas, de Rafael

O fenômeno atual da codificação da ética decorre especialmente do pensamento de Emanuel Kant que, em sua Crítica da Razão Prática, definiu a moral como conjunto de máximas que podem ser generalizadas. Por isso, muitos pensam que a ética é um conjunto de regras, geralmente previstas em um código deontológico, onde está prescrito aquilo que o indivíduo pode e aquilo que ele não pode fazer.

Entretanto, a origem da Ética das Obrigações remonta ao séc. XIII, especialmente com o pensamento de Guilherme de Ockham, considerado como o representante mais eminente da escola nominalista. Para Ockham, não há nenhuma moralidade intrínseca às ações humanas, sendo ações moralmente boas ou más apenas porque Deus assim o quer. Deus, diz Ockham, poderia ordenar às criaturas que o odiassem, e neste caso odiar a Deus seria bom e meritório. A liberdade apresenta-se como a possibilidade de escolher entre o sim ou o não, pura e simplesmente.

Essa visão acaba reduzindo a ética a uma camisa de força da liberdade humana. Posteriormente surgirão críticas a ética assim conceituada, tal como no Marxismo e o pensamento de Nietzsche, onde os valores morais seriam impostos pelas classes dominantes, uma moral de escravos, construção cultural no tempo e espaço etc. Talvez isso explique a atual crise na moral e nos costumes, eis que, para muitos, “tudo é permitido”.

A proposta da Ética das Virtudes vai num sentido diametralmente oposto.

Calcada no pensamento de Sócrates, Platão e Aristóteles, a Ética das Virtudes ressalta que o homem possui guias internos naturais para a realização do ser. O homem é, por natureza, finalístico. Píndaro, poeta da antiguidade, explicita essa idéia com a máxima “Torna-te o que és”. E a finalidade do agir humano é buscar o ideal de excelência na inteligência, na vontade e na afetividade. O homem é, portanto, um ser in fieri, ou seja, precisa preencher o seu ser de plenitude, e esse preenchimento levará a felicidade.

É no agir humano que o homem torna-se o que é. De certa forma, nos identificamos com o nosso agir, o que poderíamos chamar de efeito feed back. Nenhuma ação pessoal nos é indiferente. Tal como o fogo, que cresce ou se apaga, estamos a cada momento nos aproximando ou nos distanciando do nosso verdadeiro ser, dependo do nosso agir bom ou mal. E a repetição desses atos morais gera um hábito bom ou um hábito mal. O habito bom é o que chamamos de virtude, e o hábito mal, vício. São esses hábitos – como uma segunda natureza – que nos aproximam (virtudes) ou nos afastam (vícios) da verdade e do bem e, portanto, da felicidade.

Assim, vemos que bem, fim e perfeição de certa maneira se confundem. O homem ou é ético ou não é homem.

Não só as corporações devem identificar a sua Missão e a sua Visão, para utilizar uma conceituação empresarial moderna. Também o homem possui uma Missão e uma Visão.

Cabe a cada um descobrir qual é a sua.


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